Estava eu no supermercado, entre as batatas e as cebolas, e, à distância, uma cara sorria abertamente, com a expressão e o olhar. Duvidoso, tentei perceber se se dirigia para alguém ao meu lado, antes de compor, também eu, o melhor sorriso.
Então, já a menina estava à minha frente, em cumprimento amistoso e serenamente efusivo.
Pedi desculpa por, finalmente, reconhecer os traços, mas, ao contrário do desejo, não recordar o nome.
Primeiro “bónus”: era a Carla Daniela, minha aluna há cerca de vinte anos, na escola onde ainda trabalho.
E que fazia agora, como ia a sua vida? - Perguntei.
É enfermeira no Hospital Público de Braga e tem um bebé rapaz, com cerca de um ano, disse-me.
Estava contente com a profissão? - Arrisquei.
Com a função sim, com as condições… pôs uma cara triste.
Curioso, ainda perguntei se não chegara a pensar emigrar, até pela elevadíssima competência da enfermagem portuguesa, como eu pude comprovar abundantemente, na primeira pessoa, em 2009.
Que sim, que tivera um bilhete na mão, mas que era tanta a tristeza, na hora de partir, que a própria mãe lhe pedira que não fosse.
Felicitei-a, de todo o modo.
Segundo “bónus”: que às vezes se lembrava do professor de biologia, que sempre a incentivou e que lhe chamava Carlinha.
Terceiro “bónus”: que tentara orientar-se por outro conselho desse professor: que nunca deixasse de ser como era.
Devo ter ficado emotivamente confuso e rubicundo.
Apertei-lhe nas minhas as suas mãos e desejei-lhe as maiores felicidades, especialmente para ela e para o seu bebé.
Com o mesmo sorriso doce e belo foi à sua vida.
“Bónus” adicional: ao meu lado, a Lurdes, minha mulher, felicitou-me também.
Há dias assim.
José Batista d’Ascenção
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