quinta-feira, 2 de abril de 2026

Páscoa florida num mundo agressivo e inflacionário


O Sol brilha. As plantas florescem e reverdecem profusamente. Os animais estão activos, cumprindo o ciclo natural. Ontem, à tardinha, o cuco aplicava-se demoradamente no seu canto, como se soubesse que alguém o escutava rememorando tempos de criança.

As crianças, que deviam brincar e ouvir o canto das aves, nesta altura de interrupção lectiva, estarão provavelmente agarradas aos telemóveis, como os algoritmos determinam e os pais aceitam, vítimas que são, grande parte deles, de idêntica dependência.

Os que mandam no mundo fazem guerras, ganham rios de dinheiro e destroem a vida de muitas pessoas e os bens de todos.

Os preços sobem. Muitos acorrem a comprar o que supõem que amanhã já terá preço mais alto (como aconteceu antes de ontem com o gás de botija).

Nas culturas de raiz cristã, o tempo é de Páscoa, da Páscoa da ressurreição.

E o Sol brilha, como deviam brilhar os sorrisos das crianças em tempo de paz, para contentamento de pais e avós.

José Batista d’Ascenção

domingo, 29 de março de 2026

O pensamento dos principais líderes do mundo

Destes e doutros, tantos que não cabem aqui.

Dinheiro. Dinheiro. Dinheiro.

Petróleo. Petróleo. Petróleo.

Poder. Poder. Poder.

Manipulação. Manipulação. Manipulação.

Guerra. Guerra. Guerra.

Destruição. Destruição. Destruição.

Luxo. Luxo. Luxo.

Consumismo. Consumismo. Consumismo.

Poluição. Poluição. Poluição.

É isto ou parecido.

Que valemos nós, os que não desistem de acreditar na ressurreição da decência?

A Natureza Viva ainda respira. Mal, mas respira.

Boa Páscoa. 

José Batista d’Ascenção

sábado, 21 de março de 2026

O conceito de orgulho e a singularidade de cada um de nós

Várias vezes vejo o conceito de orgulho associado à condição de género (sexual) humano, à nacionalidade, aos filhos, aos pais, à profissão, etc.

Em qualquer destes casos há em mim discrepância no sentir. No sentir e no sentido. É-me estranho sentir orgulho em ser homem, por exemplo. Se é essa a minha condição biológica intrínseca, e se o facto não é mérito meu, que razão justificaria o meu sentimento de orgulho?

Gosto, prazer, conforto, harmonia, sentimento de realização com condições próprias ou acções realizadas ou procedimentos tidos é coisa diferente. Agora, orgulho, orgulho causa-me espécie…

Enquanto conceito exagerado de si, com o significado de soberba ou vaidade, termos que meto no mesmo saco, é algo que dispenso, na condição de sujeito. Por via das dúvidas, não tendo a associar à palavra orgulho sinónimos comuns como autoestima, brio ou dignidade, palavras benquistas à minha sensibilidade.

É assim que penso e sinto e sou.

José Batista d’Ascenção

terça-feira, 17 de março de 2026

Aprender com as cegonhas

No segundo dia a seguir à queda de parte do tabuleiro da autoestrada A1, na margem direita do Mondego, em Coimbra, devia eu atravessar aquele viaduto. Em vez disso tive de seguir o percurso alternativo.

Dias depois, em comentário sobre a violência da tempestade que tinha ocorrido e do rasto de destruição que deixou, alguém me dizia que, no meio dos destroços, os ninhos das cegonhas, em grande número nos postes da rede eléctrica de alta tensão, naquela zona, permaneciam lá. Então, não o pude confirmar objectivamente.

O que sei é que em tempos não muitos remotos (menos de cem anos), as margens do Baixo Mondego eram arborizadas e as cegonhas não dispunham dos postes de electricidade para nidificar nem deles precisavam. O «progresso» dos humanos obrigou-as a solução de recurso, de que, aparentemente, se saem bem.

Ontem, dia 17 de Março, voltei a fazer a A1 nos dois sentidos entre Porto e Leiria e pude reparar que as torres metálicas da rede eléctrica estão repletas de ninhos de cegonha, com as aves por perto, tão diligentes como sempre as vi.

Ainda não sei se os ninhos são realmente os que já lá estavam ou se foram (re)construídos entretanto. Seja como for, enalteço a «engenharia» e a «resiliência» das cegonhas, que me parecem uma lição. Para os comuns mortais e, também, para a engenharia nacional.

José Batista d’Ascenção

sexta-feira, 13 de março de 2026

O mundo em fanicos

Entre portas, além da preocupação com a escalada do preço dos combustíveis, que vai agravar inexoravelmente a inflação, parece sobrar muito tempo e espaço para a discussão de motivos tão fúteis como a vestimenta de cerimónia da mulher do novel presidente da república. Somos assim.

Para lá do nosso «quintal», o mundo está submetido a brutal «pirotecnia» de engenhos mortíferos e destrutivos que riscam os céus - «espectáculo» que alguns descrevem como «interessante»! - e fazem em pedaços estruturas, edifícios e… pessoas.

Os indivíduos mais poderosos do mundo são loucos e alguns deles são frios assassinos.

Os líderes europeus - das democracias que (ainda) restam - entretêm-se nas vacuidades características das respectivas irrelevâncias, grudados nos cargos a que ascenderam pelos votos, que pouco merecem.

Onde e como vamos acabar não o sei eu. Mas temo, sobretudo, pelos meus filhos e netos e por todos os que são das idades próximas das deles.

No resto da minha vida, vou cuidar de encontrar sementes de optimismo, que esforçadamente tentarei semear.

José Batista d’Ascenção

quarta-feira, 11 de março de 2026

Húmus, “hummus”, humor triste e divórcio das palavras

Hoje, na aula de biologia de 11º ano, conveio referir a decomposição da matéria orgânica e a formação de húmus nos solos, agrícolas e não só.

A turma é de bons alunos, mas eles não sabiam o significado da palavra «húmus», que confundiam com um alimento de grafia parecida (ou mesmo coincidente).

Ignorantes não são apenas os alunos (na realidade são todos os que ignorantes parecem mais a totalidade dos que não causam essa impressão). Neste caso, o professor desconhecia o termo e o conceito que os alunos trouxeram à colação.

Marcas dos tempos, dos que passaram e dos que fluem no presente.

Tomara que o léxico dos alunos tenha aumentado com o meu esforço.

Pelo meu lado, não me sinto propriamente mais completo nem mais bem preparado com a extensão do que ouvi e fiquei a saber. Sem arrogância o digo.

E também sem contentamento.

José Batista d’Ascenção.

domingo, 8 de março de 2026

Às mulheres

 

Musa. Séc. I d. C. (Mármore)

Às minhas avós, à minha mãe, à minha mulher, às minhas irmãs, às minhas noras/filhas, às minhas sobrinhas, às minhas netas, que ainda não tenho, às minhas colegas e amigas.


A essas e todas as outras.


Pequena e humilde homenagem, imensamente sentida e grata.


Hoje e todos os dias do calendário.


José Batista d’Ascenção