sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Portugal, um país heterogéneo com forte identidade

Portugal é um país (relativamente) pequeno, em tamanho. Já foi grande, muito grande, em importância mundial, que podia ainda ter, mas que não tem nem terá nas próximas gerações (oxalá estivesse enganado…), principalmente porque (em minha opinião, e por razões intrínsecas e envolventes) o nosso «sistema educativo» é confrangedoramente ineficaz.

Somos um rectângulo(zinho) no extremo ocidental do continente europeu mais uma dúzia de ilhas no Atlântico, de que resulta termos uma imensidão de oceano como zona económica exclusiva, que cuidamos pobremente e não conseguimos vigiar.

O continente português – o tal rectângulo – cujo comprimento alinha na direcção norte-sul, tem características geográficas diversas, quer devido à latitude (zonas mais a norte ou mais a sul), quer devido à orografia (tipo e orientação das montanhas), a que acrescem a proximidade do mar nas extensas orlas costeiras oeste e sul e a continentalidade nas fronteiras com a Espanha, a norte e a leste.

Para um beirão-interior albicastrense ou um alentejano, o dito do Alto Minho «o primeiro de Agosto é o primeiro dia de Inverno» causa espanto, espanto que tem tanta lógica como o próprio ditado, se considerarmos as características de cada uma daquelas regiões, vistas por quem nelas habita.

As ilhas têm também marcas próprias da sua localização.

O clima, a vegetação, e a paisagem moldam as pessoas e a cultura. Contudo, um dos traços mais fortes do nosso país é a profunda identidade nacional, não obstante a diversidade das formas de viver, de sentir e de estar. Creio que tudo assenta nos nove séculos da História de Portugal.

E, sendo um país sempre pobre, de que grande parte das pessoas teve de partir para fugir à fome e à miséria, a diáspora, espalhada por muitos países do mundo, só reforça, à distância, a funda identidade do que é ser português. Ou seja: os emigrantes fazem Portugal mais português.

Sem megalomania, é legítimo e saudável acreditar que, um dia, os portugueses cumprirão Portugal.

José Batista d’Ascenção

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Sim, a bondade está nas pessoas

Nas pessoas em geral, mesmo quando não se nota ou parece o contrário. Cada vez dou mais importância ao papel dos líderes, daqueles que entusiasmam, mesmo se não arrastam multidões. Dou-lhes quase tanta como dou às pessoas intrinsecamente boas – aquelas que, sem o pretender ou exibir, dão exemplos maravilhosos.

A maior parte dos líderes políticos actuais parecem-me genericamente baços, gananciosos e pouco inspiradores, e, muitos deles, perigosos: pelo que são e pelo poder que têm. Mas há-os de categoria. Zelensky, por exemplo, tem lutado com coragem e firmeza pelo seu país e pelo seu povo.

Tristemente, as mulheres que ascenderam aos lugares de topo na política mundial não se distinguem dos homens. Neste particular, a igualdade de género tem sido menos fecunda do que eu a supûs (e profundamente desejei). Mas não é por isso que a devemos menosprezar, desde logo porque duplica o universo de escolha dos mais capazes para quaisquer sectores sociais. Cabe-nos a nós, a cada um de nós, saber escolher em função da competência e da dignidade, pois que as sociedades carecem enormemente de quem cuide (bem) delas.

Donde, os líderes são fundamentais, porque congregam e mobilizam.

Não podemos perder a esperança.

José Batista d’Ascenção

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Descansemos, por uns dias

Agosto nosso. P’rà família e p’ròs amigos. Para as festas, para as praias ou os campos. Para os abraços. Em celebração e comunhão.

Se a dor não se sobrepuser, que durmam os relatórios médicos.

Viremos costas à imensa confusão do (que devia ser o) nosso ensino (esqueçamos o termo “educação”), à miseranda justiça que temos, à falta de ética e incompetência de (des)governantes e dos políticos da oposição (a quê?, como?, com que objectivos?), particularmente os extremistas patéticos (e perigosos).

Ademais, esperemos que as temperaturas nos poupem à desgraça aterradora dos incêndios.

Não corras demasiado depressa, Agosto. Deixa-nos saborear os teus dias, cada minuto, do início ao fim.

Vinde, filhos e netos, vinde.

Deleita-te coração, que a doçura maior está prestes.

José Batista d’Ascenção

terça-feira, 21 de julho de 2026

Estar calado

Olho e (julgo que) vejo. Penso e chego a conclusões que não me agradam. Sinto e dói-me.

É o mundo. É o meu país. Somos nós, os que fazemos ou alimentamos os tumultos agressivos das redes sociais. São os princípios que, em larga escala, só exigimos aos outros. 

O viver emocionalmente compensador, aparentemente, escapa a cada vez maior número de pessoas. Os motivos próximos são a saúde, a habitação, o trabalho digno e a educação, mas o clima afectivo parece provir de mais fundo e de englobar mais do que isso.

Na última dúzia de anos, identifiquei-me socialmente com as mensagens dos papas Francisco e Leão XIV. Para além deles, no tempo deles, nenhum outro líder do país ou do mundo me entusiasmou.

Penso nos meus filhos e netos e no mundo em que vão viver. Uma fracção (minoritária) da juventude só pode ter boas referências. Mas serão (os) suficientes para melhorar o devir da humanidade?

Sobre problemas específicos – e são tantos, nesta altura -, opto pelo silêncio, que talvez ajude.

Que adiantaria o que eu pudesse dizer? 

José Batista d’Ascenção

sábado, 11 de julho de 2026

Um espanto: a política e o futebol, que o resto pouco importa

A pretexto de ir apoiar a equipa de futebol do país, na conquista heróica de um campeonato do mundo, o senhor primeiro-ministro conseguiu ir três vezes aos Estados Unidos em pouco tempo, como se a sua presença nos jogos fosse um factor de peso para as vitórias a haver.

Se, em média, cada viagem (de ida ou de volta) demorasse dez horas, veja-se o tempo que sua excelência gastou por motivos que não se percebem, senão pela vaidade, pela propaganda e pela ausência de noção das prioridades e… do ridículo.

Entretanto, os cidadãos vive(ra)m a angústia dos fogos e as preocupações com os exames nacionais, somadas àquelas que são intrínsecas e permanentes, como as urgências e as maternidades, entre outras.

Mas o que importa isso?

O pontapé na bola é que é.

José Batista d’Ascenção

terça-feira, 7 de julho de 2026

Recursos das notas dos exames sim, mas apenas nos casos justificados

Face aos problemas com a classificação dos exames nacionais, alguns dirigentes políticos têm sugerido que os eventuais recursos sejam gratuitos, e já há uma petição nesse sentido. Cuidado com propostas deste tipo. Com a falta de confiança que o processo de classificação está a incutir, pode dar-se uma avalanche de reclamações, parte das quais não tenha motivo justificado. Vendo a questão do ponto de vista dos classificadores, afogados em trabalho, a uma situação problemática podem somar-se novos e maiores problemas. Até admitia que o pagamento da cota exigida fosse devolvido com acréscimo (digamos mais 25% do custo) aos que tivessem razão, como compensação pelo transtorno sofrido, mas dar curso a uma imensidão de reapreciações sem razões que as validem, dá trabalho e despesas injustificadas, as quais, nesses casos, devem ter custos para quem, indevidamente, pretendeu o que não era legítimo.

Muita prudência, portanto, ou corremos o risco de ter a meada empeçada por muito tempo…

José Batista d’Ascenção

domingo, 5 de julho de 2026

Amor pela língua portuguesa

A minha amiga e colega Fátima Ferraz comentava recentemente o linguajar dos cozinheiros que, com frequência, aparecem nos programas de TV e dizem “gramas” no feminino  [a palavra, enquanto unidade física de massa, é um substantivo masculino, pelo que se deve dizer e escrever «o grama» ou «os gramas», mantendo-se o símbolo «g» invariável, no singular e no plural] e se referem (oralmente) à capacidade volumétrica dos recipientes para líquidos em «éme éle», possivelmente por desconhecerem que o símbolo «ml» se refere a mililitro (a milésima parte de 1 L).

Não ficava mal às televisões serem mais cuidadosas e exigentes no trato da (belíssima, mas degradada) língua portuguesa, e é inadmissível o que se passa nos canais públicos.

Para o vulgo, uma ajuda preciosa ao bem falar e escrever é o recente livro «Em Nome da Língua. Ámen», de Manuel Monteiro. Uma extensão desta matéria específica, e algo mais, consta, de modo muito esclarecedor, nas páginas 110-113.

Porém, todo o livro devia ser de leitura “obrigatória”.

José Batista d’Ascenção