Ponto prévio: A vida particular de Cotrim não me interessa. Nem a dele nem a de nenhum político. Muito menos a vida íntima, dele ou de qualquer outro.
Mas, como cidadão, tenho o direito de saber quem são os executantes da política no meu país, para poder fazer opções fundamentadas.
Primeira pergunta: Sendo Cotrim uma pessoa ambiciosa (no sentido político, tanto mais que, sendo deputado europeu, se candidatou à presidência da república), qual foi a razão (ou as razões) concreta(s) por que saiu da liderança do partido «Iniciativa Liberal»? Mais directamente: essa saída pode ter-se devido a motivos de importunação a alguma senhora que desempenhasse funções políticas com ele ou para ele, nessa altura?
É que, recentemente, pareceu tão amofinado com acusações dessa natureza, que ameaçou que recorreria aos tribunais para esclarecer judicialmente a questão. Já o fez? Por via das dúvidas, eu gostava de saber a decisão judicial elementar a haver, apenas isso e não os prolegómenos ou as fundamentações.
Terceira questão: No meu percurso diário para o trabalho passo por vários mega-cartazes de Cotrim (dele e doutros, na realidade), em que aparece a exibir e a elogiar o próprio perfil ou então de olhar vulpino como se tivesse lobrigado a salvação do mundo. Ora, tendo já passado algum tempo desde a 1ª volta das eleições, em que não passou; havendo algum risco de queda de obstáculos na via pública; desfeando aquelas lonas descomunais o espaço urbano; e tendo Cotrim tempo de sobra para aparecer como comentarista político de coturno suficiente (embora eu me lembre de como embatucou confrangedoramente por largos segundos a uma pergunta simples de Seguro em debate a dois na TV), sobra-me a pergunta: porque não se apressa a dar o exemplo de mandar tirar os retratos do passeio público?
Se fizer o obséquio.
José Batista d’Ascenção



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