Mais ainda que pela idade, o estado psico-social do mundo mostra-me que estou velho, porventura fora do tempo.
Soube um dia destes que um meu familiar ainda jovem, na casa dos trinta e picos, casado e com um belo filho, que frequenta o jardim-escola, sendo convidado para um casamento, confrontou-se com a necessidade de entregar o rapaz, por impossibilidade de o levar consigo e com a mãe à festa de noivado.
Fiquei impressionado. Na minha cabeça, um casamento é um acto fundador de uma família, que tem o seu sentido mais profundo e completo na possibilidade de se alargar com crianças. Sei que não tem de ser assim, mas parece-me que é deste modo que as crianças têm mais possibilidades de crescerem felizes e de receberem uma educação melhor (que até lhes permita participar em casamentos sem serem excessivamente incomodativas).
Onde também estranho a evolução das mentalidades e dos procedimentos é em esconder a morte e as cerimónias fúnebres das crianças. Não era assim na aldeia (do interior da Beira Baixa) onde nasci e frequentei a escola primária. Então, à parte a necessária sensibilidade e cuidado, as crianças não eram excluídas. E isso nunca me pareceu mal.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Mas não creio que se tenha mudado a natureza íntima e os sentimentos dos seres humanos.
À margem, observo.
José Batista d’Ascenção







