O nosso corpo é perturbadoramente maravilhoso, embora não mais do que o dos outros seres vivos de complexidade equivalente. As suas unidades funcionais, chamadas células, em número de milhões de milhões (algumas dezenas de biliões), são tão complexas como as maiores cidades. E, como elas, podem perturbar-se e começar a funcionar mal.
Por vezes, alterações genéticas afectam os mecanismos de regulação da divisão celular. Em consequência, pode acontecer que massas celulares desatem a crescer indesejavelmente por multiplicação das células constituintes.
Ávidas de alimento, há células tumorais que induzem a formação de vasos sanguíneos para aporte de nutrientes, e que são capazes de se descolar das outras e espalhar-se pelo corpo, onde continuam a consumir alimento e a multiplicar-se. Está-se em presença de uma doença maligna (cancro).
O nosso sistema de defesa (sistema imunitário) ataca normalmente o que nos é estranho. Como as células malignas são nossas, muitas vezes não são suficientemente diferentes das células normais, outras vezes iludem ou inibem o sistema imunitário, pelo que não são destruídas e continuam a originar outras a um ritmo tendencialmente exponencial, quando as condições o permitem (disponibilidade de alimento, de oxigénio, de espaço…): uma célula dá duas, duas dão quatro, quatro dão oito, etc.
É a vez da medicina: ou aquelas células descontroladas são removidas, por cirurgia, por exemplo, ou são eliminadas por algum procedimento (radioterapia, quimioterapia ou outro). Não sendo atalhada, a doença progride, em muitos casos, fatalmente.
Hoje, com o aumento da esperança média de vida, nos países mais “desenvolvidos”, e o envelhecimento das populações, a que se somam alguns hábitos prejudiciais e a exposição a diversos poluentes, as doenças oncológicas tornaram-se muito comuns, para o que também contribui a eficácia dos meios de diagnóstico.
Tanto como temer a palavra «cancro» devemos promover o conhecimento e adoptar comportamentos e praticar acções que, em muitos casos, o previnem ou detectam precocemente.
José Batista d’Ascenção






