Deserto de gente jovem. Deserto da energia contagiante das crianças. Deserto de casais recentes, de mulheres grávidas e de bebés. Carente de renovação das gerações.
Um “interior” a cento e cinquenta quilómetros do mar em linha recta. Um “interior” geograficamente próximo das praias a abarrotar de gente, de Junho a final de Setembro. Para mais, reticulado de estradas com bom piso, a facilitar o acesso e o trânsito em todas as direcções. As tais estradas que haviam de atrair os nativos deslocados e outros, mas que funcionaram como vias de fuga dos poucos que ainda permaneciam.
É estranho. É confuso. Tanto mais que as pessoas que restam são acolhedoras. Os sabores são deliciosos. As paisagens são bonitas. As cores primaveris são um conforto para a vista e para a alma. O canto das aves não esmoreceu e as águias cirandam demorada e silenciosamente nos céus. Os corços correm gráceis pelas encostas. E até os javalis, individualmente ou em grupo, indiferentes aos carros que passam, têm alguma graça.
Para quem nasceu nas montanhas, a saudade e a nostalgia do retorno são vencidas na efusão dos abraços por que os corações anseiam.
José Batista d’Ascenção






