Tenho para mim que de grande parte das nossas actividades não resulta grande coisa, senão cansaço físico e emocional. Somos nós, nas nossas correrias, são as organizações de trabalho, as instituições e os órgãos políticos que têm de mostrar serviço, particularmente os governos.
Cumprimos fadários que nos impõem e que nos impomos, bem como aos que de nós dependem, como é o caso das crianças. Reconheça-se que parar é morrer, mas o problema está no excesso evitável de que dificilmente damos conta.
Chega a velhice, depois de “avisos” que tendemos a ignorar, e que se vão somando inexoravelmente, até que alguém, mais ou menos claramente, com ou sem intenção, ou algum exame médico, nos confronta com a nossa condição. E então, se situação sócio-económica e as faculdades pessoais o permitem, questionamo-nos sobre se fomos formigas excessivamente laboriosas ou alguma espécie de barata tonta.
Infelizmente, muitos, demasiados, sofrem de precariedade social e doença tais que nem se colocam questões “filosóficas” deste tipo. E tantos caem em apatia e inactividade, em que se arrastam penosamente numa solidão crescente. Outros, os privilegiados que, ainda saudáveis, conseguiram uma pensão remediada podem entrar numa fase mais descontraída, dedicando-se ao que antes não puderam fazer, por vezes com grande gosto e proveito próprio e de outrem. Excepto se não iniciam outra etapa de correrias a levar e trazer netos e a cuidar deles, e estão livres da angústia de ter de auxiliar filhos ou não são obrigados a tomar conta de alguém incapacitado.
Seja como for, cumpre-nos viver a vida, do modo que sabemos e podemos. E ser activo, em todo o percurso de vida, é um dever imprescindível – o dever de estar vivo e de dar vida, alegria e esperança.
José Batista d’Ascenção






