Filipa Dias (que não tenho o privilégio de conhecer) é uma técnica habilitada e especializada (por instituições portuguesas e estrangeiras), que ajuda «a compreender melhor o processo de envelhecimento, a lidar com as mudanças trazidas pela doença e a organizar o cuidado…
Trabalha nas áreas de gestão de comportamentos, adaptação da casa, estimulação cognitiva e funcional e estratégias de autocuidado» … A sua prática inclui «vivência pessoal próxima com a doença de Parkinson e a demência» …
O que Filipa Dias também tem é uma excelente capacidade de comunicação por escrito com clareza, autenticidade, objectividade e precisão. Além disso, fá-lo com humanismo tocante e encorajador, especialmente nos casos em que aumentam exponencialmente os aspectos deprimentes da demência e da fisiologia, causadores de sofrimento extenuante e arrasador de quem cuida, pessoa que precisa igualmente de protecção, antes de esquecer-se de si e agravar dramaticamente toda a situação.
O livro «Os meus pais envelheceram, e agora?» merece o mais alto prémio da minha consideração, por ser extraordinário no esclarecimento e iluminação de tantos aspectos em que sou terrivelmente ignorante, mas também por não ser o livro de uma sabichona com a pretensão de tudo ensinar ao vulgo ignaro.
Como a minha mãe vai fazer noventa e dois anos, e me atormento com o seu conforto, talvez fosse difícil encontrar bibliografia mais a preceito.
Quase (já) não guardo livros depois de os ler, mas este vai permanecer comigo, também para antecipar o que provavelmente me vai acontecer no resto da minha vida.
José Batista d’Ascenção.






