Portugal é um país (relativamente) pequeno, em tamanho. Já foi grande, muito grande, em importância mundial, que podia ainda ter, mas que não tem nem terá nas próximas gerações (oxalá estivesse enganado…), principalmente porque (em minha opinião, e por razões intrínsecas e envolventes) o nosso «sistema educativo» é confrangedoramente ineficaz.
Somos um rectângulo(zinho) no extremo ocidental do continente europeu mais uma dúzia de ilhas no Atlântico, de que resulta termos uma imensidão de oceano como zona económica exclusiva, que cuidamos pobremente e não conseguimos vigiar.
O continente português – o tal rectângulo – cujo comprimento alinha na direcção norte-sul, tem características geográficas diversas, quer devido à latitude (zonas mais a norte ou mais a sul), quer devido à orografia (tipo e orientação das montanhas), a que acrescem a proximidade do mar nas extensas orlas costeiras oeste e sul e a continentalidade nas fronteiras com a Espanha, a norte e a leste.
Para um beirão-interior albicastrense ou um alentejano, o dito do Alto Minho «o primeiro de Agosto é o primeiro dia de Inverno» causa espanto, espanto que tem tanta lógica como o próprio ditado, se considerarmos as características de cada uma daquelas regiões, vistas por quem nelas habita.
As ilhas têm também marcas próprias da sua localização.
O clima, a vegetação, e a paisagem moldam as pessoas e a cultura. Contudo, um dos traços mais fortes do nosso país é a profunda identidade nacional, não obstante a diversidade das formas de viver, de sentir e de estar. Creio que tudo assenta nos nove séculos da História de Portugal.
E, sendo um país sempre pobre, de que grande parte das pessoas teve de partir para fugir à fome e à miséria, a diáspora, espalhada por muitos países do mundo, só reforça, à distância, a funda identidade do que é ser português. Ou seja: os emigrantes fazem Portugal mais português.
Sem megalomania, é legítimo e saudável acreditar que, um dia, os portugueses cumprirão Portugal.
José Batista d’Ascenção






