sábado, 8 de agosto de 2026

Pão que vale a pena

Sempre que passo pelas Caldas da Rainha e sou obsequiado com o almoço ou o jantar, o que acontece quase sempre, os meus anfitriões, conhecedores da minha gula por certa broinha de milho amarelo divinal têm-na sempre na mesa. É bonita de ver, macia ao tacto, muito gostosa e fatia maravilhosamente (eu gosto muito de cortar o pão, na hora, antes de o comer, quando ele é bom).

Desta vez, o privilégio foi maior. Sobre a mesa, lá estava o magnífico pão. Como se não bastasse, recebi dois de prenda para trazer para minha casa. O aspecto é o que se vê na imagem. O sabor é indescritível. Não sei em que casa o compram (problema que tenho de resolver…), mas é na cidade. Um dia tenho de ir lá eu mesmo, para o acto de aquisição e para felicitar o vendedor(a)/padeiro(a), acção que suponho que, para eles, seja banal.

Gosto muito de pão. O pão de trigo melhor que comi, simples ou com alguma mistura, não sei bem, foi na zona de Torres Vedras, Mafra e Ericeira. É de comer e gritar por mais.

Broa amarela muito boa comi-a faz muito tempo no interior da Beira Baixa, feita para consumo próprio e familiares pela Ti Natividade, mais conhecida por Ti Fòfa, da freguesia de Estreito, Concelho de Oleiros. Depois que ela morreu, há mais de 35 anos, desisti de comer broa por aqueles sítios, o que deve ser injusto para tantas outras senhoras desconhecidas daquelas terras.

Também na Beira Baixa há uma variedade de pão de trigo confecionada pelo padeiro de Cardigos, que faz com que me alambanze em merendas de trás-da-orelha, sobretudo se acompanho com queijo de Malpica (do Tejo), de ovelha ou de cabra ou de mistura. Também pode ser queijo da Soalheira ou as variedades de Castelo Branco, incluindo o picante.

Voltando ao pão: Pão bom devia ser «o pão nosso de cada dia».

José Batista d’Ascenção

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Portugal, um país heterogéneo com forte identidade

Portugal é um país (relativamente) pequeno, em tamanho. Já foi grande, muito grande, em importância mundial, que podia ainda ter, mas que não tem nem terá nas próximas gerações (oxalá estivesse enganado…), principalmente porque (em minha opinião, e por razões intrínsecas e envolventes) o nosso «sistema educativo» é confrangedoramente ineficaz.

Somos um rectângulo(zinho) no extremo ocidental do continente europeu mais uma dúzia de ilhas no Atlântico, de que resulta termos uma imensidão de oceano como zona económica exclusiva, que cuidamos pobremente e não conseguimos vigiar.

O continente português – o tal rectângulo – cujo comprimento alinha na direcção norte-sul, tem características geográficas diversas, quer devido à latitude (zonas mais a norte ou mais a sul), quer devido à orografia (tipo e orientação das montanhas), a que acrescem a proximidade do mar nas extensas orlas costeiras oeste e sul e a continentalidade nas fronteiras com a Espanha, a norte e a leste.

Para um beirão-interior albicastrense ou um alentejano, o dito do Alto Minho «o primeiro de Agosto é o primeiro dia de Inverno» causa espanto, espanto que tem tanta lógica como o próprio ditado, se considerarmos as características de cada uma daquelas regiões, vistas por quem nelas habita.

As ilhas têm também marcas próprias da sua localização.

O clima, a vegetação, e a paisagem moldam as pessoas e a cultura. Contudo, um dos traços mais fortes do nosso país é a profunda identidade nacional, não obstante a diversidade das formas de viver, de sentir e de estar. Creio que tudo assenta nos nove séculos da História de Portugal.

E, sendo um país sempre pobre, de que grande parte das pessoas teve de partir para fugir à fome e à miséria, a diáspora, espalhada por muitos países do mundo, só reforça, à distância, a funda identidade do que é ser português. Ou seja: os emigrantes fazem Portugal mais português.

Sem megalomania, é legítimo e saudável acreditar que, um dia, os portugueses cumprirão Portugal.

José Batista d’Ascenção

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Sim, a bondade está nas pessoas

Nas pessoas em geral, mesmo quando não se nota ou parece o contrário. Cada vez dou mais importância ao papel dos líderes, daqueles que entusiasmam, mesmo se não arrastam multidões. Dou-lhes quase tanta como dou às pessoas intrinsecamente boas – aquelas que, sem o pretender ou exibir, dão exemplos maravilhosos.

A maior parte dos líderes políticos actuais parecem-me genericamente baços, gananciosos e pouco inspiradores, e, muitos deles, perigosos: pelo que são e pelo poder que têm. Mas há-os de categoria. Zelensky, por exemplo, tem lutado com coragem e firmeza pelo seu país e pelo seu povo.

Tristemente, as mulheres que ascenderam aos lugares de topo na política mundial não se distinguem dos homens. Neste particular, a igualdade de género tem sido menos fecunda do que eu a supûs (e profundamente desejei). Mas não é por isso que a devemos menosprezar, desde logo porque duplica o universo de escolha dos mais capazes para quaisquer sectores sociais. Cabe-nos a nós, a cada um de nós, saber escolher em função da competência e da dignidade, pois que as sociedades carecem enormemente de quem cuide (bem) delas.

Donde, os líderes são fundamentais, porque congregam e mobilizam.

Não podemos perder a esperança.

José Batista d’Ascenção

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Descansemos, por uns dias

Agosto nosso. P’rà família e p’ròs amigos. Para as festas, para as praias ou os campos. Para os abraços. Em celebração e comunhão.

Se a dor não se sobrepuser, que durmam os relatórios médicos.

Viremos costas à imensa confusão do (que devia ser o) nosso ensino (esqueçamos o termo “educação”), à miseranda justiça que temos, à falta de ética e incompetência de (des)governantes e dos políticos da oposição (a quê?, como?, com que objectivos?), particularmente os extremistas patéticos (e perigosos).

Ademais, esperemos que as temperaturas nos poupem à desgraça aterradora dos incêndios.

Não corras demasiado depressa, Agosto. Deixa-nos saborear os teus dias, cada minuto, do início ao fim.

Vinde, filhos e netos, vinde.

Deleita-te coração, que a doçura maior está prestes.

José Batista d’Ascenção

terça-feira, 21 de julho de 2026

Estar calado

Olho e (julgo que) vejo. Penso e chego a conclusões que não me agradam. Sinto e dói-me.

É o mundo. É o meu país. Somos nós, os que fazemos ou alimentamos os tumultos agressivos das redes sociais. São os princípios que, em larga escala, só exigimos aos outros. 

O viver emocionalmente compensador, aparentemente, escapa a cada vez maior número de pessoas. Os motivos próximos são a saúde, a habitação, o trabalho digno e a educação, mas o clima afectivo parece provir de mais fundo e de englobar mais do que isso.

Na última dúzia de anos, identifiquei-me socialmente com as mensagens dos papas Francisco e Leão XIV. Para além deles, no tempo deles, nenhum outro líder do país ou do mundo me entusiasmou.

Penso nos meus filhos e netos e no mundo em que vão viver. Uma fracção (minoritária) da juventude só pode ter boas referências. Mas serão (os) suficientes para melhorar o devir da humanidade?

Sobre problemas específicos – e são tantos, nesta altura -, opto pelo silêncio, que talvez ajude.

Que adiantaria o que eu pudesse dizer? 

José Batista d’Ascenção

sábado, 11 de julho de 2026

Um espanto: a política e o futebol, que o resto pouco importa

A pretexto de ir apoiar a equipa de futebol do país, na conquista heróica de um campeonato do mundo, o senhor primeiro-ministro conseguiu ir três vezes aos Estados Unidos em pouco tempo, como se a sua presença nos jogos fosse um factor de peso para as vitórias a haver.

Se, em média, cada viagem (de ida ou de volta) demorasse dez horas, veja-se o tempo que sua excelência gastou por motivos que não se percebem, senão pela vaidade, pela propaganda e pela ausência de noção das prioridades e… do ridículo.

Entretanto, os cidadãos vive(ra)m a angústia dos fogos e as preocupações com os exames nacionais, somadas àquelas que são intrínsecas e permanentes, como as urgências e as maternidades, entre outras.

Mas o que importa isso?

O pontapé na bola é que é.

José Batista d’Ascenção

terça-feira, 7 de julho de 2026

Recursos das notas dos exames sim, mas apenas nos casos justificados

Face aos problemas com a classificação dos exames nacionais, alguns dirigentes políticos têm sugerido que os eventuais recursos sejam gratuitos, e já há uma petição nesse sentido. Cuidado com propostas deste tipo. Com a falta de confiança que o processo de classificação está a incutir, pode dar-se uma avalanche de reclamações, parte das quais não tenha motivo justificado. Vendo a questão do ponto de vista dos classificadores, afogados em trabalho, a uma situação problemática podem somar-se novos e maiores problemas. Até admitia que o pagamento da cota exigida fosse devolvido com acréscimo (digamos mais 25% do custo) aos que tivessem razão, como compensação pelo transtorno sofrido, mas dar curso a uma imensidão de reapreciações sem razões que as validem, dá trabalho e despesas injustificadas, as quais, nesses casos, devem ter custos para quem, indevidamente, pretendeu o que não era legítimo.

Muita prudência, portanto, ou corremos o risco de ter a meada empeçada por muito tempo…

José Batista d’Ascenção