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| Observação: Esta não é a pomba João |
A inteligência animal, seja isso o que for, deixa-nos por vezes agradável e ternamente impressionados. Há poucas horas, estava eu no café «Os Coelhos» (em Braga), saboreando uma xícara de café e concentrado em artigo longo de jornal, quando oiço o Sr Miguel, muito enfático, entre as mesas, a chamar carinhosamente pelo João, que estaria na zona de dentro do balcão, onde eu não via ninguém. O Sr Miguel repetia o chamamento e encaminhava-se para a porta, que dá para a esplanada. Foi então que baixei os olhos e vi sair a pomba muito direita, em marcha firme e bem direcionada para a voz que a convidava. Saiu e ficou momentos à espera de alguma compensação (que o Sr Miguel sabe que não lhe deve dar), imperturbável perante quem estava, sentado ou de pé, a olhar como eu.
No acto de pagamento felicitei o Sr Miguel pela comunicação muito humana com a pomba e por ela tão bem correspondida. Na resposta, fiquei a saber que mesmo ao Domingo, quando o estabelecimento está fechado, a ave vem plantar-se à porta à espera que o dono a abra.
São reflexos condicionados, talvez banais, bem sei, mas é, provavelmente, um bocadinho mais do que isso. Estas interacções dos bichos com os humanos não são possíveis com quaisquer pessoas. E os animais conseguem distinguir isso, parece-me.
Num tempo de violência e desregramento do mundo - que nunca foi pacífico, reconheça-se, mas em que o poder de destruição dos humanos era, também ele, limitado - ver a compatibilidade harmoniosa entre espécies tão díspares dispõe bem.
José Batista d’Ascenção






