Foi um rápido. Passou e soube bem. Os mais jovens, filhos e netos regressam agora aos países que os acolhem. São emigrantes, os meus descendentes (todos). Não são emigrantes como foram, noutros tempos, tias e tios meus. Mas são emigrantes, mesmo os que têm dupla nacionalidade. Eu assim os considero.
Sobre a emigração dos meus tempos de meninice e juventude, retenho relatos fragmentários de viagens «a salto», sobretudo para França, relembro fragmentos de conversas sobre «passadores» e, principalmente, guardo referências ao trabalho intenso e ao esforço de poupança dos que se foram por negra necessidade, na intenção de um dia regressarem para a casa nova que, entretanto, mandaram construir, bem diferente do «ninho de pedras» coberto de telha vã, sem água nem electricidade, nem casa de banho que deixaram ao partir.
Os regressos para o Natal ou para os meses de Verão, em cada ano, eram uma festa ao chegar e um aperto no peito na hora de voltar.
Os emigrantes ajudaram a fazer de Portugal outro país. Há pouco mais de meio século, antes do «25 de Abril», as condições de vida eram paupérrimas para mais de três quartos das pessoas: mortalidade infantil, analfabetismo, carências alimentares, falta de assistência médica e ausência de liberdade de pensamento faziam uma paisagem humana e social cinzenta e triste, não obstante o escape (compreensível) do folclore e a acção da propaganda política.
Os nossos emigrantes também deram muito aos países a que aportaram.
Honra lhes seja e à sua condição.
Obrigado, meus filhos.
José Batista d’Ascenção.






