O segundo dia a seguir à queda de parte do tabuleiro da autoestrada A1, na margem direita do Mondego, em Coimbra, devia eu atravessar aquele viaduto. Em vez disso tive de seguir o percurso alternativo.
Dias depois, em comentário sobre a violência da tempestade que tinha ocorrido e do rasto de destruição que deixou, alguém me dizia que, no meio dos destroços, os ninhos das cegonhas, em grande número nos postes da rede eléctrica de alta tensão, naquela zona, permaneciam lá. Então, não o pude confirmar objectivamente.
O que sei é que em tempos não muitos remotos (menos de cem anos), as margens do Baixo Mondego eram arborizadas e as cegonhas não dispunham de nem precisavam dos postes de electricidade para nidificar. O «progresso» dos humanos obrigou-as a solução de recurso, de que, aparentemente, se saem bem.
Ontem, dia 17 de Março, voltei a fazer a A1 nos dois sentidos entre Porto e Leiria e pude reparar que as torres metálicas da rede eléctrica estão repletas de ninhos de cegonha, com as aves por perto, tão diligentes como sempre as vi.
Ainda não sei se os ninhos são realmente os que já lá estavam ou se foram (re)construídos entretanto. Seja como for, enalteço a «engenharia» e a «resiliência» das cegonhas, que me parecem uma lição. Para os comuns mortais e, também, para a engenharia nacional.
José Batista d’Ascenção






