A natureza psicológica e social dos humanos ou evolui(u) pouco ou nota-se pouco que evolui(u).
As sociedades que sofrem os horrores da guerra geram pessoas com vontades/necessidades férreas de paz e acentuam tendências para a solidariedade e generosidade nos tempos sequentes aos conflitos bélicos. Também há recalcamentos e desejos de vingança, mas estes tornam-se mais subterrâneos nessas alturas.
Passadas décadas, novas gerações, sem memória vivida das guerras, desvalorizam a possibilidade de que voltem a acontecer, iniciando-se mais ou menos aceleradamente o recrudescimento dos factores capazes de as desencadear.
Desde sempre, em vários lugares, a humanidade esteve e está em guerra. Os estados de guerra são inexoráveis? Não se podem evitar?
Devemos acreditar que sim. E lutar para que assim seja. Mas isso implica doses infinitas de humildade, de generosidade, de reflexão e de estudo (da História e de algo mais). E não apenas por uma pequena fracção de cada população. Em termos de organização social, isso significa que a educação (boa formação) é fundamental, assim como são indispensáveis sistemas de (recta) justiça. As democracias dignas do nome não resistem sem qualquer dessas vertentes.
Por isso, líderes de péssima extracção encontram sempre pasto favorável para as suas tenebrosas ideias, preparando o terreno para as acções que lhes fazem ferver o sangue, dada a facilidade de disseminação do ódio e da mentira, que a tecnologia transformou em armas de eficacíssima manipulação.
O mundo nunca teve tantos aliciantes como na actualidade, mas também nunca esteve tão perigoso.
José Batista d’Ascenção
