«Um juíz borgonhez, Henri Boguet (1550-1619) especulou que haveria 300 mil bruxas em França e 1,8 milhões na Europa. A histeria coletiva gerada levou a que, nos séculos XVI e XVII, fossem torturados e executados entre 40 mil e 50 mil inocentes, de diferentes origens e de todas as idades, acusados de bruxaria, incluindo crianças de cinco anos.
Os métodos inquisitoriais recomendados pelo manual de Kramer, Malleus Maleficarum, eram diabólicos. Obtida a confissão, os acusados eram executados e os seus bens repartidos pelo acusador, pelo carrasco e pelos inquisidores. Se o acusado recusasse confessar, tal era visto como obstinação demoníaca e tinham lugar as mais horrendas torturas: partiam-se dedos, mutilava-se a carne com tenazes em brasa, o corpo era esticado até ceder ou mergulhado em água a ferver. Famílias inteiras foram executadas, começando-se por um elemento da família forçado a incriminar outro, indicado pelos torturadores, e assim continuamente.
Em 1600, em Munique, os elementos da família Papphenheimer (o pai, a mãe, dois rapazes e um menino de dez anos), foram todos mortos. Começaram pelo menino, obrigado a denunciar a mãe. Os quatro adultos, mutilados com tenazes em brasa, foram torturados na roda, sendo-lhes partidos os braços e as pernas; o pai foi empalado; os seios da mãe foram cortados, e todos foram queimados vivos. O menino, chamado Hansel, foi obrigado a ver tudo, e quatro meses depois foi executado.»
[in: Yuval Noah Harari (2024). «Nexus. História Breve das Redes de Informação». Elsinore. Lisboa. 141-142 p.]
Hoje, as torrentes de informações das vias de comunicação, tal como no passado, depois da invenção da imprensa, não asseguram por si só, o conhecimento e a aproximação geral à verdade. Veja-se o que se passa nas redes sociais. Não se defenda a censura, mas é preciso conter a profusão e difusão de notícias falsas.
Se eu soubesse como, dizia.
José Batista d’Ascenção

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