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| Celeste Caeiro - a mulher que fez florescer Abril |
Um filho, dois netos, um cunhado, duas tias e um sobrinho fazem anos em Abril. São datas emocionalmente festivas que celebramos discretamente, só nós, os mais chegados da família.
Mas o dia grande do mês de Abril, aquele dia a que Sophia, a nossa poeta contemporânea mais conhecida, talvez, chamou «dia inicial inteiro e limpo» é o dia 25 de Abril de 1974.
Foi inteiro, sim. E longo. E esperançoso. E belo. Nunca a Primavera, de todas as que teve o século XX em Portugal, teve um dia tão florido e entusiasmante.
Vivam os cravos vermelhos de Abril.
Vivam os homens democráticos, corajosos e generosos que fizeram a justa revolução, sem derramarem sangue, revolução luminosa que pôs fim à longa e tenebrosa “noite” salazarista.
Destaco um desses homens, já morto, em representação de todos: Salgueiro Maia.
Depois fomos vivendo a democracia consoante a fomos construindo. Podíamos ter feito melhor? Podíamos, mas a responsabilidade foi e é nossa.
A educação dos portugueses é a que é e que tem sido. Dela, na parte que me coube, também eu procurei ser um obreiro digno. Mas falhámos muito. Falhámos tanto que agora temos, ufanos, e em grande número, os que pretendem subverter (ou ignoram) os factos da História e as regras fundamentais do viver democrático.
O sistema de justiça também andou e anda mal.
E sem educação e sem justiça nenhuma sociedade pode ser justa e democrática.
Porém, a oportunidade tivemo-la e temo-la todos os dias: foi-nos dada no dia 25 de Abril de 1974.
Estas são opiniões minhas, muito sentidas, que posso expressar - por enquanto - porque sou livre.
Viva a Liberdade.
José Batista d’Ascenção

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