segunda-feira, 15 de junho de 2026

Houvesse na política líderes com a dimensão e o humanismo dos últimos papas

Homens monumentais: foi-o o papa Francisco e está a sê-lo o papa Leão XIV. Os líderes políticos dos principais países democráticos europeus das três últimas décadas foram ou são, em geral, baços, nada inspiradores e pouco eficazes. Enunciam princípios mas não lutam com denodo por eles. Parecem (e são) mais funcionários bem pagos e acomodados do que representantes eleitos dedicados a causas e esforçados na sua execução. Ainda pus esperanças nas mulheres das actuais chefias, mas ficaram iguais aos seus colegas masculinos. Temos uma massa dirigente indistinta, amorfa e desinteressante.

O mundo caminha mal. Torcionários frios e assassinos (Putin, Kim Jong-un), ditadores calculistas de face serena (Xi Jinping) ou narcisistas doentios espalhafatosos e amorais (Trump) querem tomar conta do mundo e conduzem-no para a negrura dos seus instintos e interesses materiais.

Poderosos como eles (ou mais ainda) são os donos das empresas gigantes digitais e dos sistemas de inteligência artificial (IA), alguns deles com afinidades hitlerianas, pelo menos em certos gestos e atitudes (Elon Musk).

No meio disto há referências de humanismo que devíamos divisar, quais âncoras de lucidez e compaixão, sem o que a espécie humana terá triste fim.

A encíclica «Laudato Si» mostra-nos lúcida e esperançosamente o melhor a fazer pela Casa Comum. Acabada de sair, a encíclica «Magnifica Humanitas» aponta corajosamente o caminho para fugirmos ao horror da escravatura dos algoritmos e ao atroz belicismo tecnológico apoiado na IA.

Pudesse o mundo católico de base multiplicar e tornar claras aos olhos do vulgo praticante a beleza, a bondade e a iluminação das propostas de Leão XIII, João XXIII, Francisco e Leão XIV, assim como recusar a profanação dos Evangelhos por líderes extremistas que se fazem filmar prostrados e de mãos postas frente aos altares.

Os humanos pertencem todos a uma só espécie e cada um de nós tem a mesma dignidade de quaisquer outros, sem excepções.

José Batista d’Ascenção

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Azul

Certinhas, as minhas hortênsias – as mais belas da minha rua – correspondem anualmente, mesmo quando passam mal.

O fim-de-semana passado foi uma dessas alturas em que, sem serem regadas, murcharam, entristecidas, no alto da floreira em que enfeitam a entrada e podem ser contempladas da rua.

Mas, dois regadores de água depois, agradecidas, embelezaram-se como deve ser.

E ficaram assim, humildemente bonitas.   

José Batista d’Ascenção

De Curação a Curaçau?

Ilha Curaçau

Em saboroso artigo no jornal «Público», do dia 10 de Junho, Miguel Esteves Cardoso fala da presença da selecção de futebol de Curaçau no mundial. O que podia ter dito é que o nome «Curaçau», segundo algumas opiniões, é uma "corruptela" do termo "curação", com significado de "curar", dado pelos portugueses àquela ilha. No tempo das navegações dos europeus pela conquista do mundo, o escorbuto, resultado da falta do consumo de verduras (ricas em vitamina C) em viagens de meses sobre as ondas, dizimava os marinheiros. Sempre que aportavam em ilhas onde pudessem comer citrinos, por exemplo, a cura do escorbuto era rápida e (aparentemente) milagrosa. Ora, portugueses de então, esfaimados, teriam chegado àquela ilha e devoraram limões selvagens que rapidamente lhes proporcionaram francas melhoras. Por isso, lhes chamaram "ilha da curação", da curação do escorbuto.

Posteriormente, os holandeses tomaram posse dessa ilha, e como devem ter (tido) dificuldade em pronunciar o «ão», tão nosso, passaram a chamar-lhe «Curaçau».

E esse nome teria permanecido até à actualidade.

José Batista d'Ascenção