Homens monumentais: foi-o o papa Francisco e está a sê-lo o papa Leão XIV. Os líderes políticos dos principais países democráticos europeus das três últimas décadas foram ou são, em geral, baços, nada inspiradores e pouco eficazes. Enunciam princípios mas não lutam com denodo por eles. Parecem (e são) mais funcionários bem pagos e acomodados do que representantes eleitos dedicados a causas e esforçados na sua execução. Ainda pus esperanças nas mulheres das actuais chefias, mas ficaram iguais aos seus colegas masculinos. Temos uma massa dirigente indistinta, amorfa e desinteressante.
O mundo caminha mal. Torcionários frios e assassinos (Putin, Kim Jong-un), ditadores calculistas de face serena (Xi Jinping) ou narcisistas doentios espalhafatosos e amorais (Trump) querem tomar conta do mundo e conduzem-no para a negrura dos seus instintos e interesses materiais.
Poderosos como eles (ou mais ainda) são os donos das empresas gigantes digitais e dos sistemas de inteligência artificial (IA), alguns deles com afinidades hitlerianas, pelo menos em certos gestos e atitudes (Elon Musk).
No meio disto há referências de humanismo que devíamos divisar, quais âncoras de lucidez e compaixão, sem o que a espécie humana terá triste fim.
A encíclica «Laudato Si» mostra-nos lúcida e esperançosamente o melhor a fazer pela Casa Comum. Acabada de sair, a encíclica «Magnifica Humanitas» aponta corajosamente o caminho para fugirmos ao horror da escravatura dos algoritmos e ao atroz belicismo tecnológico apoiado na IA.
Pudesse o mundo católico de base multiplicar e tornar claras aos olhos do vulgo praticante a beleza, a bondade e a iluminação das propostas de Leão XIII, João XXIII, Francisco e Leão XIV, bem como a recusa da profanação dos Evangelhos por líderes extremistas que se fazem filmar prostrados e de mãos postas frente aos altares.
Os humanos pertencem todos de uma só espécie e cada um de nós tem a mesma dignidade de quaisquer outros, sem excepções.
José Batista d’Ascenção

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