Era o modo de recomendar pressa às crianças encarregadas de fazer algum recado, na aldeia onde nasci e onde completei a escola primária, no interior da Beira Baixa.
Fazer um recado era uma tarefa que nenhum menino ou menina se lembraria de recusar, quando vindo de pais, avós, tios ou irmãos (bastante) mais velhos. Por outro lado, dar conta do recado, e com a rapidez pedida era, só por si, ser responsável e ter o merecimento de ser reconhecido como tal. Não era preciso mais recompensa, o que, a acontecer, era privilégio acrescido.
As crianças eram também mandadas fazer certos pequenos (ou não tão pequenos…) trabalhos, que muito ajudavam à dinâmica e à economia familiar. E, para as estimular, quando a tarefa era mais difícil ou morosa, havia outro dito frequentemente utilizado: «tu fazes isso com uma perna às costas». E as crianças faziam.
Claro que muitas delas trabalhavam muito, desde tenra idade, frequentemente acima do que permitiam as suas forças ou capacidades. Não sendo o caso, o valor educativo dos afazeres atribuídos às crianças era positivo.
Na juventude, quando a preguiça ou outras motivações afastavam a mente dos trabalhos a realizar, podia surgir ríspida chamada de atenção: «estás a encanar a perna à rã?», ou então: «não sais do mesmo sítio?», ou ainda: «estás apto a ir buscar a morte!»
Normalmente, ninguém retrucava, senão arriscava-se a «ficar mal do braço e pior da perna».
Nos tempos que correm (já) não é bem assim.
José Batista d’Ascenção

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