quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Casamentos com interdição da presença de crianças

Mais ainda que pela idade, o estado psicossocial do mundo mostra-me que estou velho, porventura fora do tempo.

Soube um dia destes que um meu familiar ainda jovem, na casa dos trinta e picos, casado e com um belo filho, que frequenta o jardim-escola, sendo convidado para um casamento, confrontou-se com a necessidade de entregar o rapaz, por impossibilidade de o levar consigo e com a mãe à festa de noivado.

Fiquei impressionado. Na minha cabeça, um casamento é um acto fundador de uma família, que tem o seu sentido mais profundo e completo na possibilidade de se alargar com crianças. Sei que não tem de ser assim, mas parece-me que é deste modo que as crianças têm mais possibilidades de crescerem felizes e de receberem uma educação melhor (que até lhes permita participar em casamentos sem serem excessivamente incomodativas).

Onde também estranho a evolução das mentalidades e dos procedimentos é em esconder a morte e as cerimónias fúnebres das crianças. Não era assim na aldeia (do interior da Beira Baixa) onde nasci e frequentei a escola primária. Então, à parte a necessária sensibilidade e cuidado, as crianças não eram excluídas. E isso nunca me pareceu mal.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Mas não creio que se tenha mudado a natureza íntima e os sentimentos dos seres humanos.

À margem, observo.

José Batista d’Ascenção

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Fuga ao tédio

Tão bonito o Porto, ontem à noite, de um miradouro (relativamente) silencioso, “longe” do clima demencial do “pontapé na bola”.

O futebol jogado era para mim um escape, que saboreava raramente, através da TV, com o som desligado.

Desisti.

Também desisti da maioria dos políticos nacionais e estrangeiros.

Aguardo melhores dias.


Às 21.00 horas de ontem assisti a um concerto pela «Schönbrunn Palace Orchestra Vienna», que me trouxe emoções positivas e paz interior. Os músicos estiveram irrepreensíveis e entusiasmantes. O público aplaudiu efusiva e longamente.

No fim, sentia-me mais capaz de acalentar a esperança, não obstante certas “notícias” e "comentariado", de que também me apetece desistir. 

José Batista d’Ascenção