Lembro-me de o senhor que me vendeu o último carro, há quase uma década, me “suplicar” que respondesse a tudo com o máximo, porque menos do que excelente em todos os itens era considerada uma avaliação fraca.
Deixei de responder a esses inquéritos, porquanto, sempre que o fiz, a globalidade das perguntas deixava de fora o que me parecia fundamental.
No meu campo profissional – as escolas – a «cultura da avaliação»: interna, externa, auto e hetero, diagnóstica, formativa, sumativa, etc., também se tornou uma obsessão formal, apesar de a preparação dos alunos, pelo menos na última década, deixar cada vez mais a desejar.
Sendo ainda mais cruamente concreto em matéria pessoal: enquanto professor estive obrigado à frequência de acções de formação para progredir na carreira. Tudo normal. Sempre fui muito selectivo nas que escolhi para frequentar, mas não pude evitar alguns barretes. Em consequência, tenho uma maleta de diplomas que comprovam a exigência formal, mas, para aí um terço deles, só os guardo como elementos factuais de eventual prova. Logo que surja a aposentação vão direitinhos para o lixo. As acções correspondentes não contribuíram em nada para que eu pudesse ter sido um professor melhor.
Avaliação é imprescindível, claro. Mas só no caso de ser clara, objectiva e maximamente imparcial, o que é difícil, particularmente quando se é juiz em causa própria.
Ou então passamos a vida a fazer de conta, que é o que temos feito.
José Batista d’Ascenção
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