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| Obra de arte de Iran Martins |
A miséria expõe comummente enormes acumulações de detritos, por falta de serviços de saneamento, carência de condições de higiene e recurso a desperdícios para procura de materiais aproveitáveis ou vendáveis. O lixo e a degradação são ostensivos à vista e ao olfacto, bem como pela extensão dos espaços em que se acumulam ou espalham.
As zonas de luxo, socialmente belas e agradáveis, não são parcas na produção de lixos. A sua remoção ou reciclagem comporta muitos efeitos deletérios, grande parte dos quais não são directamente percepcionados: a reciclagem é sempre parcial e consome energia e o acondicionamento de resíduos, mesmo que nas condições mais adequadas, não anula a sua existência nem possíveis efeitos negativos, a médio ou longo prazo.
Acontece que, para alimentar o luxo da pequena fracção de humanos que o podem pagar, se consomem recursos materiais e energia em grande escala e se produzem novos materiais ou químicos contaminantes (sólidos, líquidos ou gasosos).
Some-se o “luxo guerreiro” das grandes potências bélicas, traduzido na produção de armamento, na destruição dos alvos transformados em destroços, que sepultam ou afugentam as populações, e, claro, na produção de mais armas, com repetição dos ciclos de terror, e tente-se medir ou calcular o total dos prejuízos, se tal for possível.
Donde, o mundo carece de (mais) simplicidade no viver, de menos predação de bens materiais e imateriais e da máxima reutilização possível, para verdadeiramente reduzirmos as consequências nefastas (sanitárias, sociais, ambientais e climáticas) decorrentes do consumismo desenfreado, que nos coloca entre o lixo, cada vez mais abundante, e o luxo, de usufruto cada vez mais restrito.
José Batista d’Ascenção

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