Não há na minha biografia vestígios que indiquem que fui uma promessa não cumprida no desporto, em particular no mundo do pontapé na bola.
Conto no currículo com a prática em jogos de rua e mesmo em campos (pelados) de medidas regulamentares, em que fui (demasiadas vezes) um elemento desequilibrador (em desfavor da minha equipa), e orgulho-me de nunca, enquanto jovem, ter perdido por mais de dez (que me lembre).
Actualmente, várias décadas decorridas, ainda sou escolhido pelos meus netos para ficar à baliza, suponho que com dois generosos objectivos: envolver proximamente o avô e valorizar-lhe o talento.
No jogo desta tarde apliquei-me quanto pude na defesa da baliza à minha guarda, tanto que sofri (apenas) 21 golos. O resultado, no entanto, ficou em 22-6.
Para abreviar o tempo do massacre, que não a dimensão da derrota, o Artur, petiz de cinco anos, marcador do último golo, considerando a perícia do remate e o falhanço aparatoso do guarda-redes, gritou:
- Terminou o jogo, este golo valeu por dois!
E eu pude então descansar, com uma sensação de ternurenta vitória.
José Batista d’Ascenção.

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