quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Golos que valem por dois

Não há na minha biografia vestígios que indiquem que fui uma promessa não cumprida no desporto, em particular no mundo do pontapé na bola.

Conto no currículo com a prática em jogos de rua e mesmo em campos (pelados) de medidas regulamentares, em que fui (demasiadas vezes) um elemento desequilibrador (em desfavor da minha equipa), e orgulho-me de nunca, enquanto jovem, ter perdido por mais de dez (que me lembre).

Actualmente, várias décadas decorridas, ainda sou escolhido pelos meus netos para ficar à baliza, suponho que com dois generosos objectivos: envolver proximamente o avô e valorizar-lhe o talento.

No jogo desta tarde apliquei-me quanto pude na defesa da baliza à minha guarda, tanto que sofri (apenas) 21 golos. O resultado, no entanto, ficou em 22-6.

Para abreviar o tempo do massacre, que não a dimensão da derrota, o Artur, petiz de cinco anos, marcador do último golo, considerando a perícia do remate e o falhanço aparatoso do guarda-redes, gritou:

- Terminou o jogo, este golo valeu por dois!

E eu pude então descansar, com uma sensação de ternurenta vitória. 

José Batista d’Ascenção.

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