sábado, 19 de setembro de 2026

Medronheiro

O arbusto da foto cresce em (pequena) propriedade minha. Como outros das proximidades está carregado de medronhos, quase tendo mais frutos que folhas. Cientificamente, o medronheiro tem o nome Arbutus unedo L. Pode atingir vários metros de altura, com troncos com 60-70 cm de perímetro na base. As flores são campânulas centimétricas, de cor branca ou rosada, reunidas em inflorescências pendentes. As urzes do género Erica são da mesma família. Ocorre em grande parte do país continental, é muito abundante em certas regiões da Beira Interior e do Algarve e é agora cultivado em jardins, talvez devido a ter uma folhagem persistente (sempre verde) e poder apresentar em simultâneo flores e frutos. Os frutos vão amadurecendo uns e depois outros, coexistindo frequentemente, na mesma planta, os de coloração verde, amarela e vermelha, com todas as gradações intermédias.

Desde sempre, a folhagem foi utilizada para alimentação de cabras, por exemplo, a madeira para lenha e os medronhos, sobretudo, para produzir aguardente. Depois de colhidos, os frutos maduros fermentam produzindo uma massa rica em etanol. Este processo chama-se «fermentação alcoólica» e decorre em semanas. Ao mesmo tempo, derivado de outros processos bioquímicos, forma-se outro álcool – o metanol. Por destilação da massa obtém-se aguardente.

A aguardente de medronho de produção rústica incluía aqueles dois álcoois, sendo que, embora  nenhum deles faça bem à saúde, a degradação do metanol tem consequências particularmente danosas.

A venda de aguardente de medronho só é legalmente permitida se, entre outros requisitos, o processo de destilação acautelar concentrações demasiado elevadas de metanol. Como o ponto de ebulição do metanol (cerca de 65ºC) é bastante inferior ao do etanol (aproximadamente 78ºC), aquele tende a concentrar-se mais nas primeiras fracções do destilado, que devem ser separadas.

Entre as pessoas (mais) apaixonadas pelo interior (bastante desertificado...) do país, algumas acreditam noutras possibilidades úteis do medronho, do fabrico de compotas à produção de pão. Porém, até ao presente, o seu consumo e procura não são significativos.

A flor do medronheiro, para além de ser bonita, alimenta abelhas que fazem mel.

Perguntou-me alguém se podia apanhar os medronhos. Não hesitei na resposta:

- Claro, não estão eles a pedir que alguém os apanhe? 

José Batista d’Ascenção

Sem comentários :

Enviar um comentário