Nunca percebi a frequência com que se diz pequena e a tendência que tem para comprar sapatos de sola e salto grossos. Para mim tem a grandeza que deve ter, em tamanho e em valor pessoal, e está bem assim. A generalidade dos alunos que a tiveram como professora devem pensar como eu, tais são as manifestações de tantos, ainda agora, que já não está no activo.
Outra coisa que a preocupa, e aí tem razão, parece-me, é o embranquecimento dos cabelos e o aparecimento de rugas com a idade. Faz tempo brincava sem entusiasmo com o facto de uma colega ou amiga se referir às pregas do lábio superior das pessoas que entraram na terceira idade como o “código de barras”.
E eu só queria que ela soubesse que, com cabelos brancos ou pintados de qualquer cor, com mais rugas ou menos rugas, com mais ou menos dificuldades de visão ou outros problemas, eu a admirarei e estimarei e acompanharei sempre com todas as forças e todo o gosto, até à hora da minha morte, que quero que aconteça antes da dela. A não ser assim, a minha vida ficava sem sentido. Simplesmente não saberia viver.
Ainda agora, que me vi forçado a fazer um «estágio» no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, que me afastou dos meus alunos, passou horas firme em salas de espera, de tal sorte que a mandavam para o pé da minha cama, em que tentei ser maximamente resoluto.
Se ela pudesse acreditar que é ela que me dá força, eu (ainda) havia de recuperar mais depressa.
Obrigado, minha querida, para sempre.
José Batista d’Ascenção

Sem comentários :
Enviar um comentário