sábado, 28 de fevereiro de 2026

«Caça às bruxas» é uma expressão com real e duradoiro fundamento histórico (II)

«Um juíz borgonhez, Henri Boguet (1550-1619) especulou que haveria 300 mil bruxas em França e 1,8 milhões na Europa. A histeria coletiva gerada levou a que, nos séculos XVI e XVII, fossem torturados e executados entre 40 mil e 50 mil inocentes, de diferentes origens e de todas as idades, acusados de bruxaria, incluindo crianças de cinco anos.

Os métodos inquisitoriais recomendados pelo manual de Kramer, Malleus Maleficarum, eram diabólicos. Obtida a confissão, os acusados eram executados e os seus bens repartidos pelo acusador, pelo carrasco e pelos inquisidores. Se o acusado recusasse confessar, tal era visto como obstinação demoníaca e tinham lugar as mais horrendas torturas: partiam-se dedos, mutilava-se a carne com tenazes em brasa, o corpo era esticado até ceder ou mergulhado em água a ferver. Famílias inteiras foram executadas, começando-se por um elemento da família forçado a incriminar outro, indicado pelos torturadores, e assim continuamente.

Em 1600, em Munique, os elementos da família Papphenheimer (o pai, a mãe, dois rapazes e um menino de dez anos), foram todos mortos. Começaram pelo menino, obrigado a denunciar a mãe. Os quatro adultos, mutilados com tenazes em brasa, foram torturados na roda, sendo-lhes partidos os braços e as pernas; o pai foi empalado; os seios da mãe foram cortados, e todos foram queimados vivos. O menino, chamado Hansel, foi obrigado a ver tudo, e quatro meses depois foi executado.»

[in: Yuval Noah Harari (2024). «Nexus. História Breve das Redes de Informação». Elsinore. Lisboa. 141-142 p.]

Hoje, as torrentes de informações das vias de comunicação, tal como no passado, depois da invenção da imprensa, não asseguram por si só, o conhecimento e a aproximação geral à verdade. Veja-se o que se passa nas redes sociais. Não se defenda a censura, mas é preciso conter a profusão e difusão de notícias falsas.

Se eu soubesse como, dizia.

José Batista d’Ascenção

«Caça às bruxas» é uma expressão com real e duradoiro fundamento histórico (I)

«A febre europeia da caça às bruxas foi um fenómeno moderno, não medieval. A partir de meados do século XV, aproveitando a invenção da imprensa, eclesiásticos e estudiosos da região dos Alpes coligiram elementos da religião cristã, da tradição local e da herança greco-romana e amalgamaram uma nova teoria da bruxaria, argumentando que as bruxas eram uma ameaça temível, dirigida à sociedade no seu todo. Haveria uma conspiração mundial de bruxas que, adorando Satanás, se constituíam como instituição religiosa anticristã, que visava destruir a ordem social da humanidade. As bruxas matavam crianças, comiam carne humana, faziam orgias e lançavam feitiços que traziam tempestades e epidemias e toda a sorte de catástrofes.

A primeira vaga de caça e julgamento de bruxas foi conduzida por eclesiásticos e nobres da região do Valais, nos Alpes Ocidentais, entre 1428 e 1436, ultrapassando-se as duas centenas de execuções de supostos bruxos e bruxas.

Em 1487, Heinrich Kramer, frade dominicano e inquisidor compilou um manual que ensinava a desmascarar e matar bruxas, intitulado Malleus Maleficarum. Especificamente, recomendava o recurso a métodos de tortura horripilantes aos suspeitos de bruxaria, cujo castigo não podia ser senão a execução. Kramer sexualizou a bruxaria, que seria uma atividade tipicamente feminina. Na sua imaginação transbordante de ódio, Kramer dedicou um capítulo inteiro ao talento das bruxas para o roubo de pénis.

O livro de Kramer encontrou alguma resistência inicial, todavia tornar-se-ia um dos maiores bestsellers do começo da modernidade. Em 1500, Malleus Maleficarum tinha esgotado oito edições. Até 1670 fizeram-se mais vinte e uma edições, a que se somaram várias traduções vernáculas. O livro tornou-se a obra definitiva sobre o tema, e o trabalho de Kramer foi definitivamente acolhido pelos peritos eclesiásticos.»

[in: Yuval Noah Harari (2024). «Nexus. História Breve das Redes de Informação». Elsinore. Lisboa. 136-141 p.]

Retire-se dos factos da história que a disponibilidade e a facilidade da circulação da informação não se traduzem directamente na divulgação e no conhecimento geral da verdade.

(Continua)

José Batista d’Ascenção

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Atenta, a Natureza desperta

Neste fim de Fevereiro, bastaram dois ou três dias de sol e as temperaturas a rondar os vinte graus, a passar do meio-dia, para algumas plantas sorrirem.

Ainda há três semanas de Inverno, pelo calendário, mas a vegetação e os animais selvagens, sobretudo as aves, estão prontas para a renovação festiva da Primavera.

E as almas humanas, desta nossa região do mundo, não estão menos desejosas disso.

Não tarda, o sol vai dourar o nosso ânimo, tão carecido.

Precisamos (muito) disso, antes de regressarem os receios dos estios escaldantes. Preparemo-nos para usufruir. Está quase.

José Batista d’Ascenção

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Burocracia = poder da secretária

«Etimologicamente, burocracia significa qualquer coisa como o “poder da secretária”. O termo foi cunhado na França do século XVIII, quando um funcionário público (…) se sentou a uma mesa de trabalho com gavetas – uma escrivaninha (bureau). Assim, no coração da organização burocrática jaz a gaveta. A burocracia tenta resolver o problema do acesso a informação [qualquer que seja e sobre o que quer que seja] compartimentando o mundo em gavetas: a chave está em saber que documentos estão em cada gaveta.

O princípio não se altera seja o documento arrumado numa gaveta ou numa prateleira, num cesto ou numa pasta de ficheiros ou em qualquer outro recetáculo. Isto tem um custo: em vez de se concentrar na compreensão do mundo [ou da matéria ou do assunto] como ele é, a burocracia ocupa-se de impor ao mundo [ou às coisas de que se trata] uma nova ordem, artificial. Os burocratas começam por inventar diferentes gavetas, cada uma dela não correspondendo necessariamente a qualquer divisão objetiva que haja no mundo. E a seguir tentam arrumar o mundo nessas gavetas, nem que seja à força. (…) Basta preenchermos algum tipo de modelo oficial para o percebermos: durante o preenchimento, se nenhuma das opções corresponde à nossa situação, temos de nos adaptar nós ao impresso, e não o contrário. Sendo a realidade complexa, os burocratas reduzem-na a certo número de gavetas estanques e isso ajuda-os a manter a ordem, ainda que em detrimento da verdade. E, concentrados que estão nas suas gavetas – sendo a realidade infinitamente mais complexa -, não raras vezes, os burocratas desenvolvem uma leitura distorcida do mundo.»

O problema é que não podemos funcionar em sociedade, nem estudar nem compreender o mundo, se não desenvolvermos a burocracia necessária. Como consequência, vem o resto.

in: Yuval Noah Harari (2024). «Nexus. História Breve das Redes de Informação». Elsinore. Lisboa. 90-91 p.

José Batista d’Ascenção

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Lixo e luxo

Obra de arte de Iran Martins

A miséria expõe comummente enormes acumulações de detritos, por falta de serviços de saneamento, carência de condições de higiene e recurso a desperdícios para procura de materiais aproveitáveis ou vendáveis. O lixo e a degradação são ostensivos à vista e ao olfacto, bem como pela extensão dos espaços em que se acumulam ou espalham.

As zonas de luxo, socialmente belas e agradáveis, não são parcas na produção de lixos. A sua remoção ou reciclagem comporta muitos efeitos deletérios, grande parte dos quais não são directamente percepcionados: a reciclagem é sempre parcial e consome energia e o acondicionamento de resíduos, mesmo que nas condições mais adequadas, não anula a sua existência nem possíveis efeitos negativos, a médio ou longo prazo.

Acontece que, para alimentar o luxo da pequena fracção de humanos que o podem pagar, se consomem recursos materiais e energia em grande escala e se produzem novos materiais ou químicos contaminantes (sólidos, líquidos ou gasosos).

Some-se o “luxo guerreiro” das grandes potências bélicas, traduzido na produção de armamento, na destruição dos alvos transformados em destroços, que sepultam ou afugentam as populações, e, claro, na produção de mais armas, com repetição dos ciclos de terror, e tente-se medir ou calcular o total dos prejuízos, se tal for possível.

Donde, o mundo carece de (mais) simplicidade no viver, de menos predação de bens materiais e imateriais e da máxima reutilização possível, para verdadeiramente reduzirmos as consequências nefastas (sanitárias, sociais, ambientais e climáticas) decorrentes do consumismo desenfreado, que nos coloca entre o lixo, cada vez mais abundante, e o luxo, de usufruto cada vez mais restrito.

José Batista d’Ascenção

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Imprudência e azar

Cheias. Cheias. Cheias.

Falhas de prevenção. Impreparação. Descoordenação. Falta de recursos.

Felizmente, nas últimas horas em Coimbra não foi assim. E noutras regiões também não. Parabéns a todos os protagonistas.

Mas não destoaria se fosse. O que está a acontecer, depois da tempestade mais violenta de há duas semanas e meia, não é novo nem irrepetível. E o mesmo é válido para as condições meteorológicas opostas: elevadas temperaturas, seca e incêndios, que ocorreram há escassos seis meses e que são previsíveis dentro do próximo meio ano.

Há quem negue veementemente as alterações climáticas como consequência das acções humanas. A evidência não o é para todos. E o valor da ciência também não. Este problema é mais grave quando afecta visceralmente os líderes políticos. E quando os seus aficcionados os seguem acriticamente.

Imagine-se que tinha feito vencimento a ideia de adiar as eleições presidenciais. Este fim-de-semana adiávamo-las outra vez. E quem sabe o que se proporia no seguinte…

Que preparação temos nós? E que preparação e sentido de responsabilidade têm aqueles que escolhemos para nos governar?

Esses são problemas maiores, Parece-me.

José Batista d’Ascenção

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Três perguntas a Cotrim

Ponto prévio: A vida particular de Cotrim não me interessa. Nem a dele nem a de nenhum político. Muito menos a vida íntima, dele ou de qualquer outro.

Mas, como cidadão, tenho o direito de saber quem são os executantes da política no meu país, para poder fazer opções fundamentadas.

Primeira pergunta: Sendo Cotrim uma pessoa ambiciosa (no sentido político, tanto mais que, sendo deputado europeu, se candidatou à presidência da república), qual foi a razão (ou as razões) concreta(s) por que saiu da liderança do partido «Iniciativa Liberal»? Mais directamente: essa saída pode ter-se devido a motivos de importunação a alguma senhora que desempenhasse funções políticas com ele ou para ele, nessa altura?

É que, recentemente, pareceu tão amofinado com acusações dessa natureza, que ameaçou que recorreria aos tribunais para esclarecer judicialmente a questão. Já o fez? Por via das dúvidas, eu gostava de saber a decisão judicial elementar a haver, apenas isso e não os prolegómenos ou as fundamentações.

Terceira questão: No meu percurso diário para o trabalho passo por vários mega-cartazes de Cotrim (dele e doutros, na realidade), em que aparece a exibir e a elogiar o próprio perfil ou então de olhar vulpino como se tivesse lobrigado a salvação do mundo. Ora, tendo já passado algum tempo desde a 1ª volta das eleições, em que não passou; havendo algum risco de queda de obstáculos na via pública; desfeando aquelas lonas descomunais o espaço urbano; e tendo Cotrim tempo de sobra para aparecer como comentarista político de coturno suficiente (embora eu me lembre de como embatucou confrangedoramente por largos segundos a uma pergunta simples de Seguro em debate a dois na TV), sobra-me a pergunta: porque não se apressa a dar o exemplo de mandar tirar os retratos do passeio público?

Se fizer o obséquio.

José Batista d’Ascenção

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Humanismo imprescindível

Homenagem singela a Cavaco Silva e a Paulo Portas

Há valores fundamentais que todos deviam defender e respeitar – os consignados na declaração universal dos direitos humanos.

Em certos momentos da vida das democracias, ninguém na plenitude das suas capacidades de cidadania e dos seus direitos devia eximir-se a tomar posição.

A ideologia política, as opções religiosas e as práticas sociais de cada um, quando conformes com os princípios éticos, são matéria de liberdade individual e carecem de ser respeitadas, desde logo pelos poderes instituídos. E não podem tolerar-se atropelos ao seu usufruto precisamente pelas instituições do poder nem por organizações que se constituam com o objectivo de as cercear.

A segunda volta das eleições presidenciais que, por ora, vivemos enquadram-se, a meu ver numa dessas escolhas fundamentais para o país (de Abril) e para a sociedade (democrática) que queremos ser.

Para isso, contribuiu a opção maioritária dos eleitores, obviamente, e dentre esses, os que, opondo-se desde sempre ao partido de que é oriundo o novel presidente, mas tendo em vista o principal, quiseram, anteriormente ao acto, manifestar-lhe o seu apoio de forma clara, digna e corajosa.

Foram muitos, e todos são dignos de apreço. Permito-me destacar dois deles: Cavaco Silva e Paulo Portas.

Como aos demais, a ambos felicito e agradeço.

José Batista d’Ascenção

A desventura não é irremediável

Saturado de água, o país foi a votos para o seu representante máximo. Como era previsível e tudo indica, a moderação ganhou larguissimamente.

Ainda bem.

Mas não foi só a moderação que ganhou, ganhou também a recusa da falsidade, da maldade e da crueldade. Foram muitos os que, revoltados ou dominados pelo ódio, seguiram um líder sem princípios, que se afirma cristão, mas cuja prática ofende obscenamente os evangelhos. O problema dos que votaram nele não fica resolvido, mas os resultados contribuirão decisivamente para que o mal de que sofrem não contamine mais pessoas nem se abata sobre os que não perderam os eixos nem as referências.

Ainda bem.

Os males dos tempos a que chegámos derivam em enorme medida da incompetência e da irresponsabilidade das sucessivas assembleias de deputados - que deviam ser em menor número e mais bem selecionados - e dos governos que temos tido.

Por isso, é necessário que a generalidade dos cidadãos se torne mais exigente com a qualidade da democracia, desde logo reclamando um sistema de justiça digno do nome.

Para bem de todos.

Parabéns a António José Seguro e ao país que votou nele.

José Batista d’Ascenção

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Os troféus dos professores

Estava eu no supermercado, entre as batatas e as cebolas, e, à distância, uma cara sorria abertamente, com a expressão e o olhar. Duvidoso, tentei perceber se se dirigia para alguém ao meu lado, antes de compor, também eu, o melhor sorriso.

Então, já a menina estava à minha frente, em cumprimento amistoso e serenamente efusivo.

Pedi desculpa por, finalmente, reconhecer os traços, mas, ao contrário do desejo, não recordar o nome.

Primeiro “bónus”: era a Carla Daniela, minha aluna há cerca de vinte anos, na escola onde ainda trabalho.

E que fazia agora, como ia a sua vida? - Perguntei.

É enfermeira no Hospital Público de Braga e tem um bebé rapaz, com cerca de um ano, disse-me.

Estava contente com a profissão? - Arrisquei.

Com a função sim, com as condições… pôs uma cara triste.

Curioso, ainda perguntei se não chegara a pensar emigrar, até pela elevadíssima competência da enfermagem portuguesa, como eu pude comprovar abundantemente, na primeira pessoa, em 2009.

Que sim, que tivera um bilhete na mão, mas que era tanta a tristeza, na hora de partir, que a própria mãe lhe pedira que não fosse.

Felicitei-a, de todo o modo.

Segundo “bónus”: que às vezes se lembrava do professor de biologia, que sempre a incentivou e que lhe chamava Carlinha.

Terceiro “bónus”: que tentara orientar-se por outro conselho desse professor: que nunca deixasse de ser como era.

Devo ter ficado emotivamente confuso e rubicundo.

Apertei-lhe nas minhas as suas mãos e desejei-lhe as maiores felicidades, especialmente para ela e para o seu bebé.

Com o mesmo sorriso doce e belo foi à sua vida.

“Bónus” adicional: ao meu lado, a Lurdes, minha mulher, felicitou-me também.

Há dias assim.

José Batista d’Ascenção

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

A Primavera que há-de chegar

Inverno, Inverno é o que temos tido: Muita chuva, ventos ciclónicos, neve e frio. Os solos estão saturados de água, os rios galgaram as margens e o mar enfureceu-se.

O bom disto tudo são as albufeiras cheias até mais não ser possível. O mau são os casos de morte e os prejuízos que tem havido, alguns dos quais se vão prolongar no futuro, como é o caso da perda de empregos…

Creio que, quando vierem uns dias de sol, os portugueses vão expor-se à luz e à (maior ou menor) quentura com particular satisfação.

E a Natureza pode reagir de modo análogo, como que para compensar e suplantar os rigores do tempo e o cinzentismo ambiental com que temos (con)vivido.

Nessa altura, a “explosão” de flores há-de colorir o meio ambiente, como que pondo-o em festa. E a festa, assim sentida e agradecida, por certo encherá de júbilo e esperança as (nossas) almas em hibernação sombria.

Quem sabe se essa bonomia do tempo entrará no calendário pelo Entrudo?

Bem-vinda seja, quando vier.

José Batista d’Ascenção

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Sucedem-se as tempestades, mas tardam a bonança preventiva e a remediação efectiva

A eleição presidencial, pela sua natureza e significado, devia consumar-se no seu objectivo. Atingido este, adiante. Não sendo assim, os candidatos pretendem outros fins, que não os da eleição propriamente dita.

Ressalve-se, porém, que, em democracia, todos os movimentos políticos que não a neguem ou destruam são legítimos, mesmo que inconvenientes.

As presidenciais que decorrem tiveram um número recorde de candidatos e o país encheu-se de anúncios propagandísticos de grandes dimensões nas praças e arruamentos urbanos e nas bermas das estradas. A esses somam-se os que nos impingem apelos ao consumismo comercial.

Para a impressão de tais anúncios, estruturas de suporte e afixação, instrumentos e mão-de-obra, aparentemente, não falta dinheiro.

Acontece que a profusão e dimensão das imagens ofende a vista, degrada a paisagem e o ambiente e distrai condutores a quem convém toda a atenção.

Passou a primeira volta das presidenciais e sobrevieram temporais seguidos. Os que diligentemente afixaram os materiais de propaganda deixaram os monos agora inúteis a agredir os espaços e à mercê das intempéries. Mais ou menos esfrangalhados, parte deles permanecem.

Alguns dos candidatos que ficaram pelo caminho foram lestos a anunciar movimentos políticos, mas não se mexeram para que se removam e limpem quanto antes os detritos de que são responsáveis.

Se tivéssemos bons deputados e bom governo, em tempo oportuno far-se-iam normas mais apertadas e restritivas de afixação de megacartazes, também pelo risco que podem constituir para quem circula nas estradas.

Mas isso só aconteceria se os cidadãos exigissem que assim fosse.

José Batista d’Ascenção