quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

A Primavera que há-de chegar

Inverno, Inverno é o que temos tido: Muita chuva, ventos ciclónicos, neve e frio. Os solos estão saturados de água, os rios galgaram as margens e o mar enfureceu-se.

O bom disto tudo são as albufeiras cheias até mais não ser possível. O mau são os casos de morte e os prejuízos que tem havido, alguns dos quais se vão prolongar no futuro, como é o caso da perda de empregos…

Creio que, quando vierem uns dias de sol, os portugueses vão expor-se à luz e à (maior ou menor) quentura com particular satisfação.

E a Natureza pode reagir de modo análogo, como que para compensar e suplantar os rigores do tempo e o cinzentismo ambiental com que temos (con)vivido.

Nessa altura, a “explosão” de flores há-de colorir o meio ambiente, como que pondo-o em festa. E a festa, assim sentida e agradecida, por certo encherá de júbilo e esperança as (nossas) almas em hibernação sombria.

Quem sabe se essa bonomia do tempo entrará no calendário pelo Entrudo?

Bem-vinda seja, quando vier.

José Batista d’Ascenção

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Sucedem-se as tempestades, mas tardam a bonança preventiva e a remediação efectiva

A eleição presidencial, pela sua natureza e significado, devia consumar-se no seu objectivo. Atingido este, adiante. Não sendo assim, os candidatos pretendem outros fins, que não os da eleição propriamente dita.

Ressalve-se, porém, que, em democracia, todos os movimentos políticos que não a neguem ou destruam são legítimos, mesmo que inconvenientes.

As presidenciais que decorrem tiveram um número recorde de candidatos e o país encheu-se de anúncios propagandísticos de grandes dimensões nas praças e arruamentos urbanos e nas bermas das estradas. A esses somam-se os que nos impingem apelos ao consumismo comercial.

Para a impressão de tais anúncios, estruturas de suporte e afixação, instrumentos e mão-de-obra, aparentemente, não falta dinheiro.

Acontece que a profusão e dimensão das imagens ofende a vista, degrada a paisagem e o ambiente e distrai condutores a quem convém toda a atenção.

Passou a primeira volta das presidenciais e sobrevieram temporais seguidos. Os que diligentemente afixaram os materiais de propaganda deixaram os monos agora inúteis a agredir os espaços e à mercê das intempéries. Mais ou menos esfrangalhados, parte deles permanecem.

Alguns dos candidatos que ficaram pelo caminho foram lestos a anunciar movimentos políticos, mas não se mexeram para que se removam e limpem quanto antes os detritos de que são responsáveis.

Se tivéssemos bons deputados e bom governo, em tempo oportuno far-se-iam normas mais apertadas e restritivas de afixação de megacartazes, também pelo risco que podem constituir para quem circula nas estradas.

Mas isso só aconteceria se os cidadãos exigissem que assim fosse.

José Batista d’Ascenção