sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Algorética


Algorética é um termo que traduz o pensamento do frade franciscano italiano Paolo Benanti (n. 1973), centrado na junção da ética aos algoritmos. Frei Paolo defende que a tecnologia informática deve ter rosto humano, ou seja, que o progresso técnico deve ser guiado por princípios éticos que garantam a protecção da dignidade humana. Segundo a sua opinião, os valores morais humanos devem ser traduzidos para uma linguagem que as máquinas possam processar, de modo a que os algoritmos respeitem os direitos humanos. Para ele, a «Inteligência Artificial» (IA) deve servir o bem da Humanidade e não apenas o lucro das grandes empresas que a desenvolvem. Paolo Benanti não está contra a tecnologia da IA, mas contra o modo como tem sido usada, muitas vezes sem a devida regulação.

As religiões e a ciência colaboram para garantir que a IA não desumanize a sociedade. É necessária uma ética para algoritmos, defendendo que a tecnologia deve servir à Humanidade e não substituir a dignidade ou o juízo humano.

O papa Francisco defendia que o progresso da tecnologia deve ser acompanhado por um desenvolvimento ético para garantir que a IA não aumenta as desigualdades ou cria formas de controlo social.

A posição do Vaticano sobre IA está amplamente e muito bem exposta na encíclica Magnifica Humanitas, de Leão XIV, publicada em 2026.

Em 2023, líderes muçulmanos, católicos e judeus assinaram o documento Rome Call AI Ethics. Este documento, que vinha da Pontifícia Academia para a Vida, desde 2020, e de que Benanti foi um dos impulsionadores, estabelece seis princípios gerais para o desenvolvimento da IA: Transparência; Inclusão; Responsabilidade; Imparcialidade; Fiabilidade; e Segurança e Privacidade. Em defesa da algorética, ou seja, do desenvolvimento de algoritmos que respeitem a dignidade humana e promovam a justiça e a paz.

Paolo Benanti foi nomeado para integrar o Órgão Consultivo de Alto Nível sobre IA, pelo secretário-geral da ONU, António Guterres.

José Batista d’Ascenção

in: «Deus e a Ciência, Diálogos Para a Salvação do Mundo», Carlos Fiolhais. D. Quixote. 1ª Ed. 2026. Pgs: 149-150; 272-274.

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