quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

A lei dos mais fortes num mundo sem princípios nem compaixão

De modo geral, os movimentos sociais não ocorrem por princípios nem por boas intenções, o mundo das pessoas (e os ideários políticos) move(m)-se por interesses e por paixões. Já escrevi isto várias vezes e não consigo desmentir-me a mim próprio.

Mesmo a democracia, o menos mau de todos os sistemas políticos, parece ter saturado as pessoas, que descrêem dela, a contrariam nas suas práticas e optam em liberdade por regimes autoritários.

Claro que há razões objectivas que contribuem para que assim seja, mas isso não explica tudo. É como se no âmago das pessoas houvesse alguma tendência para o abismo e a violência, tantas vezes expressa cegamente em raiva e ódio destruidores da harmonia mínima vantajosa para todos.

As experiências traumáticas ensinam, mas a força desses ensinamentos só tem eficácia preventiva sobre a maioria dos que os sofreram e deles guardam memória: casos das guerras mundiais, das explosões das bombas nucleares, da guerra do Vietname, etc.

As gerações vindas a seguir, que pais e avós protegem tanto quanto podem e que são educadas em ambientes que cultivam a paz, tornam-se algo insensíveis, como se os relatos ouvidos, os filmes vistos ou o que devia ser a aprendizagem nas escolas se tornasse longínquo e pouco real ou credível, deixando de ser relevante.

E então, de novo, as sementes da agressividade germinam, crescem e desenvolvem-se, qual pasto para futuras chamas de ódios e guerras ferozes, que podem começar no exercício livre de escolhas políticas mediante eleições.

Pela parte que me toca, e com muita pena, porque diz respeito à profissão que escolhi e a que me dediquei, vejo na educação formal e no papel da escola um enorme falhanço. Tendencialmente, as teorias da aprendizagem desenharam realidades fictícias, propuseram metodologias absurdas, denegriram a memória, cultivaram a falta de humildade e diplomaram a ignorância. Professores, pais, avós e a comunidade começaram a pagar o “preço”. E as vítimas finais são os adultos que foram crianças que não soubemos ensinar.

Obviamente, há uma minoria que escapou aos efeitos deletérios.

Será que esses vão conseguir resgatar a massa restante?

José Batista d’Ascenção

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